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Teste TUG: como aplicar, cronometrar e interpretar

O Timed Up and Go mede em segundos a transferência sentado-de pé, a marcha de 3 metros, o giro e o retorno ao assento. É o teste de rastreio mais usado em geriatria e atenção primária por exigir apenas cadeira, cronômetro e 3 metros livres.

Materiais necessários

Cadeira com braços (assento ~46 cm), cronômetro, cone a 3 m, fita métrica.

Como aplicar passo a passo

  1. 1

    Preparar o ambiente

    Posicione uma cadeira com braços (assento em torno de 46 cm) encostada na parede e marque 3 metros à frente com fita ou cone.

  2. 2

    Posicionar o paciente

    Paciente sentado, costas apoiadas, braços sobre os apoios, calçado habitual e dispositivo auxiliar de uso rotineiro liberado.

  3. 3

    Familiarizar

    Permita uma tentativa de reconhecimento do percurso, sem cronometrar.

  4. 4

    Cronometrar

    Ao comando “vá”, inicie o cronômetro; o paciente levanta, caminha 3 metros em ritmo habitual, contorna a marca, retorna e senta. Pare o cronômetro no contato final com o assento.

  5. 5

    Registrar

    Faça duas tentativas cronometradas e registre a melhor, junto com uso de apoio, hesitação e passos no giro.

Pontos de corte e conduta

ResultadoLeituraConduta
< 10 sMobilidade independenteOrientação de exercício e rastreio anual
10 a 13,4 sLimítrofeMonitorar e reavaliar em 6 meses
≥ 13,5 sRisco aumentado de queda (S 80% / E 100%)Treino de marcha e transferências; avaliação multifatorial
≥ 20 sDependência funcional relevanteSupervisão nas transferências e intervenção multicomponente

Valores de referência por faixa etária

Comparar o paciente com a própria faixa etária evita interpretar como alteração um desempenho esperado para a idade — e revela perda de reserva antes do ponto de corte.

Faixa etáriaMédiaIntervalo esperado
60 a 69 anos8,1 s7,1 a 9,0 s
70 a 79 anos9,2 s8,2 a 10,2 s
80 a 99 anos11,3 s10,0 a 12,7 s

Modo clínico

Selecione a faixa de referência, registre o resultado e receba a leitura ajustada à idade, a comparação com a avaliação anterior e um resumo pronto para o prontuário.

Critério da faixa 60 a 69 anos

Esperado: 8,1 s (7,1 a 9,0 s)

Nesta faixa, tempo acima de 9 s já sinaliza perda de reserva antes do corte clássico.

Informe o resultado para ver a interpretação por faixa etária.

Propriedades psicométricas

  • Confiabilidade intra e interexaminador

    ICC próximo de 0,99

    Podsiadlo & Richardson, JAGS 1991

  • Mudança mínima detectável (MDC)

    cerca de 3 a 4 s em idosos da comunidade

    Estudos de reprodutibilidade em idosos comunitários

  • Acurácia no corte de 13,5 s

    sensibilidade ~80% / especificidade ~100% na coorte original

    Shumway-Cook et al., Physical Therapy 2000

  • Desempenho como preditor isolado

    sensibilidade agrupada ~76% e especificidade ~49%

    Barry et al., BMC Geriatrics 2014 (meta-análise)

Variantes do protocolo

TUG cognitivo (dupla tarefa mental)

O paciente executa o percurso contando de trás para frente de 3 em 3 a partir de um número aleatório. Aumento superior a 4,5 segundos em relação ao TUG simples sugere competição atencional e maior risco de queda.

TUG manual (dupla tarefa motora)

O percurso é feito carregando um copo com água. Piora relevante indica pouca reserva de equilíbrio para tarefas do cotidiano, como transportar objetos na cozinha.

TUG cronometrado por subfases

Registrar separadamente levantar, ida, giro e sentar identifica onde está o gargalo: giro lento aponta déficit de equilíbrio dinâmico, enquanto levantar lento aponta fraqueza de extensores de joelho e quadril.

Erros comuns que invalidam a comparação

  • Trocar de cadeira entre as avaliações

    Altura e presença de braços mudam o tempo de transferência. Padronize a mesma cadeira e registre o modelo no prontuário.

  • Pedir para o paciente andar o mais rápido possível

    O protocolo original usa ritmo habitual e seguro. O comando de velocidade máxima é outro teste e não pode ser comparado com os pontos de corte clássicos.

  • Parar o cronômetro quando o paciente chega perto da cadeira

    A cronometragem termina no contato completo das nádegas com o assento, com as costas apoiadas.

  • Retirar bengala ou andador para o teste

    O dispositivo habitual deve ser mantido e anotado, porque o teste mede mobilidade real, não capacidade máxima sem apoio.

  • Não registrar calçado, medicação e horário

    Chinelo solto, dose recente de sedativo ou fim de tarde alteram o tempo. Reavalie sempre em condições equivalentes.

Casos comentados de interpretação

Sinal precoce em idosa ativa

Achado
Mulher, 72 anos, TUG 11,8 s, sem quedas, refere insegurança ao descer degraus.
Leitura
Tempo dentro da faixa limítrofe e acima da média da faixa etária: mobilidade ainda independente, com perda de reserva.
Conduta
Treino de força de membros inferiores e equilíbrio duas a três vezes por semana, revisão de calçado e reavaliação em 6 meses.

Risco confirmado por dupla tarefa

Achado
Homem, 79 anos, TUG 13,1 s e TUG cognitivo 19,4 s (diferença de 6,3 s).
Leitura
TUG simples quase no corte, mas a dupla tarefa expõe competição atencional — padrão associado a quedas recorrentes.
Conduta
Avaliação multifatorial completa, rastreio cognitivo, revisão de medicamentos de ação central e treino de marcha com dupla tarefa.

Dependência funcional instalada

Achado
Mulher, 85 anos, TUG 24 s com andador, duas quedas no último ano.
Leitura
Acima de 20 segundos há dependência funcional relevante e alta probabilidade de nova queda.
Conduta
Supervisão nas transferências, adequação domiciliar imediata, fisioterapia supervisionada, revisão de fármacos de risco e checagem de vitamina D.

Limitações e cuidados de interpretação

  • Efeito teto em idosos ativos: um tempo normal não exclui risco quando há histórico de queda ou medo de cair.
  • Os pontos de corte foram derivados de idosos da comunidade e não se transferem diretamente para institucionalizados, pós-AVC ou doença de Parkinson, populações com valores próprios.
  • Como preditor isolado, a especificidade é modesta; use o resultado para acionar a avaliação multifatorial, não para descartar risco.
  • Dor aguda, tontura postural e ambiente escorregadio invalidam a leitura naquele dia.

Perguntas frequentes sobre Teste TUG

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Referências

  1. 1. Podsiadlo D, Richardson S. The Timed Up & Go: a test of basic functional mobility for frail elderly persons. J Am Geriatr Soc. 1991.
  2. 2. Shumway-Cook A, Brauer S, Woollacott M. Predicting the probability for falls in community-dwelling older adults using the Timed Up & Go Test. Phys Ther. 2000.
  3. 3. Bohannon RW. Reference values for the Timed Up and Go Test: a descriptive meta-analysis. J Geriatr Phys Ther. 2006.
  4. 4. Barry E, et al. Is the Timed Up and Go test a useful predictor of risk of falls in community dwelling older adults: a systematic review and meta-analysis. BMC Geriatr. 2014.
  5. 5. Montero-Odasso M, et al. World guidelines for falls prevention and management for older adults. Age Ageing. 2022.

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