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Escala de Tinetti (POMA): aplicação e pontuação de equilíbrio e marcha

A Performance-Oriented Mobility Assessment (POMA), conhecida no Brasil como escala de Tinetti, avalia por observação direta o equilíbrio (16 pontos) e a marcha (12 pontos). É útil quando se quer identificar qual componente da mobilidade está alterado, e não apenas o tempo total de execução.

Materiais necessários

Cadeira sem braços, corredor livre de 3 m, cronômetro opcional.

Como aplicar passo a passo

  1. 1

    Preparar o ambiente

    Cadeira firme sem braços, corredor livre de pelo menos 3 metros e espaço para giro de 360°.

  2. 2

    Aplicar a seção de equilíbrio

    Pontue equilíbrio sentado, levantar-se, equilíbrio imediato em pé, em pé com pés juntos, resposta ao empurrão esternal, olhos fechados, giro de 360° e sentar-se.

  3. 3

    Aplicar a seção de marcha

    Observe início da marcha, comprimento e altura do passo, simetria, continuidade, trajetória, tronco e base de apoio durante a caminhada em ritmo habitual.

  4. 4

    Somar e classificar

    Some equilíbrio e marcha para o escore de 0 a 28 e registre também os subescores separadamente.

  5. 5

    Definir conduta

    Relacione a faixa de risco com intervenção de equilíbrio, marcha, revisão de medicamentos e adequação do domicílio.

Pontos de corte e conduta

ResultadoLeituraConduta
25 a 28 pontosRisco baixoExercício multicomponente e rastreio anual
19 a 24 pontosRisco moderadoTreino supervisionado de equilíbrio e marcha
≤ 18 pontosRisco altoAvaliação multifatorial e dispositivo auxiliar
Marcha ≤ 8Instabilidade dinâmicaTreino de marcha e adequação ambiental

Valores de referência por faixa etária

Comparar o paciente com a própria faixa etária evita interpretar como alteração um desempenho esperado para a idade — e revela perda de reserva antes do ponto de corte.

Faixa etáriaMédiaIntervalo esperado
Idoso comunitário sem queda26 pontos24 a 28
Idoso com queda no último ano20 pontos16 a 24
Idoso institucionalizado17 pontos10 a 22
Subescore de marcha esperado11 de 129 a 12

Modo clínico

Selecione a faixa de referência, registre o resultado e receba a leitura ajustada à idade, a comparação com a avaliação anterior e um resumo pronto para o prontuário.

Critério da faixa Comunitário sem queda

Esperado: 26 pontos (24 a 28)

Perda nos itens de giro e apoio unipodal aparece antes do escore total cair.

Informe o resultado para ver a interpretação por faixa etária.

Propriedades psicométricas

  • Confiabilidade interexaminador

    concordância acima de 85% entre avaliadores treinados

    Tinetti ME, J Am Geriatr Soc 1986

  • Acurácia no corte de 18/19

    sensibilidade ~70% / especificidade ~80% para quedas recorrentes

    Kegelmeyer DA et al., Physical Therapy 2007

  • Mudança mínima detectável

    cerca de 4 a 5 pontos no escore total

    Faber MJ et al., Arch Phys Med Rehabil 2006

  • Versão brasileira

    tradução e adaptação cultural com boa reprodutibilidade

    Gomes GC, dissertação Unicamp 2003

Variantes do protocolo

POMA-B e POMA-G isolados

Aplicar apenas equilíbrio (16 pontos) ou apenas marcha (12 pontos) quando o objetivo é acompanhar um domínio específico durante a reabilitação, sempre registrando qual seção foi usada.

Versão de 24 pontos

Algumas publicações usam pontuação de 0 a 24 (equilíbrio 0 a 16 e marcha 0 a 8 em escala 0-1). Antes de comparar resultados, confirme qual versão foi usada, porque os pontos de corte mudam.

Tinetti com dispositivo auxiliar

Repetir a seção de marcha com e sem bengala documenta o ganho real do dispositivo e justifica a prescrição ou o desmame.

Erros comuns que invalidam a comparação

  • Somar equilíbrio e marcha sem registrar os subescores

    O valor clínico da POMA está em separar os domínios: 22 pontos com marcha 7 exige conduta diferente de 22 pontos com equilíbrio 11.

  • Aplicar o empurrão esternal sem proteção

    Posicione-se ao lado do paciente, com cadeira atrás, e aplique pressão leve e previsível; o item avalia resposta postural, não força do examinador.

  • Observar a marcha em corredor curto ou obstruído

    Use pelo menos 3 metros livres e ritmo habitual; espaço reduzido encurta o passo e simula alteração que não existe.

  • Misturar versões de 28 e 24 pontos entre reavaliações

    Padronize a versão no serviço e anote-a no prontuário para que a comparação temporal seja válida.

Casos comentados de interpretação

Equilíbrio preservado com marcha alterada

Achado
Homem, 76 anos, Tinetti 22 (equilíbrio 15, marcha 7).
Leitura
O total sugere risco moderado, mas a perda está concentrada na marcha: passo curto, assimetria e desvio de trajetória.
Conduta
Treino de marcha com pistas visuais e ritmo, avaliação de dor e artrose de joelho, checagem de neuropatia e reavaliação em 8 semanas.

Instabilidade postural precoce

Achado
Mulher, 80 anos, Tinetti 25 com perda de ponto apenas no empurrão esternal e no giro de 360°.
Leitura
Escore total na faixa de risco baixo, mas com sinal precoce de resposta postural lenta — achado que antecede a primeira queda.
Conduta
Treino de reações posturais e giros, revisão de anti-hipertensivos e sedativos, orientação de iluminação noturna.

Risco alto após internação

Achado
Mulher, 84 anos, Tinetti 15 (equilíbrio 9, marcha 6) três semanas após internação clínica.
Leitura
Perda funcional aguda pós-hospitalização com comprometimento dos dois domínios e alta probabilidade de queda em curto prazo.
Conduta
Avaliação multifatorial completa, fisioterapia supervisionada, prescrição de andador, adequação domiciliar e revisão de fármacos de risco.

Limitações e cuidados de interpretação

  • É uma escala observacional e ordinal: depende do treino do avaliador e tem menor sensibilidade a pequenas mudanças do que medidas cronometradas.
  • Também apresenta efeito teto em idosos ativos, com muitos escores entre 26 e 28.
  • Existem versões de 28 e de 24 pontos na literatura, o que gera comparações incorretas entre serviços.
  • Os pontos de corte derivam de idosos comunitários e institucionalizados e não se aplicam diretamente a doença de Parkinson ou pós-AVC, que têm instrumentos próprios.

Perguntas frequentes sobre Escala de Tinetti

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Referências

  1. 1. Tinetti ME. Performance-oriented assessment of mobility problems in elderly patients. J Am Geriatr Soc. 1986.
  2. 2. Tinetti ME, Williams TF, Mayewski R. Fall risk index for elderly patients based on number of chronic disabilities. Am J Med. 1986.
  3. 3. Kegelmeyer DA, Kloos AD, Thomas KM, Kostyk SK. Reliability and validity of the Tinetti Mobility Test for individuals with Parkinson disease. Phys Ther. 2007.
  4. 4. Faber MJ, Bosscher RJ, van Wieringen PC. Clinimetric properties of the performance-oriented mobility assessment. Arch Phys Med Rehabil. 2006.
  5. 5. Montero-Odasso M, et al. World guidelines for falls prevention and management for older adults. Age Ageing. 2022.

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